O enterro de Nielsen – ou o fim das interfaces 2D

07/12/2008 at 17:30 Deixe um comentário

Vejo cada vez mais o nosso bom e velho site à la Nielsen ficar no passado. O mundo virtual hoje está cada vez mais como o real. Surgem sempre novas formas de interatividade utilizando novos tipos de interfaces, vitaminando antigas e potencializando a representação do mundo real no mundo virtual. Não quero dar uma de antropolólogo da informação e do virtual, mas me parece que o  clique-aqui parece fadado ao esquecimento.
 
Senão vejamos. Com o advento do Orkut, as pessoas conseguiram se ver no mundo virtual. Mesmo aqueles que nunca pensaram em suas personas virtuais – daí pego emprestado de meu colega Cacau Guarnieri este conceito – criaram seus sitezinhos. São representações do real, porém, são virtuais e vemos que ali são todos bonitos, perfeitos, legais e sem problemas. Assim, o Orkut mostra que as pessoas têm seu reflexo na rede, disponível vinte e quatro horas por dia. Apesar disso, ainda não se deram conta que qualquer intervenção sua no mundo virtual representa uma expressão dessas personas virtuais representantes das pessoas no mundo virtual.
 
Se antes o virtual tentava representar o real em toda sua forma, como era o Geocities no começo da internet, onde cada cidade representava um tema, hoje vemos que a personalização, a relação humano-computador é que dá a tônica desse relacionamento. Hoje não existe uma taxonomia, mas sim a folksonomia. Não existe interface única, mas sim interface personalizável, onde o usuário arrasta a caixinha que considera mais importante, configura a previsão de tempo pra cidade que quiser, escolhe a cor da barra superior.
 
Não quero usar de futurologia para argumentar o que estou pensando, mas vendo os novos ambientes digitais e as novas interfaces que fazem sucesso na web 2.0, vislumbro um novo momento para a arquitetura de informação e para a disponibilização de informação ao usuário.
 
Primeiro, podemos constatar que a participação do usuário é cada vez mais requerida. Só para resumir: falamos da Wikipedia, do Youtube, do Del.icio.us. Em todos esses ambientes o usuário é convidado a criar tags, desenvolver conteúdo, participar. E realmente ocorre tal participação, como se cada um pegasse para sí a responsabilidade de gerir e manter esses ambientes.
 
Segundo, podemos ver que as interfaces cada vez mais representam o mundo real no virtual. E não falo do ludismo de certas interfaces, que é com certeza o caminho mais plausível. Falo da interatividade e da facilidade intuitiva do uso destas interfaces. Neste caminho está o SecondLife e o Habbo Hotel. O próprio Google Earth traz a representação real do mundo físico no virtual. Lá com sorte, podemos ver na rede a foto do telhado de nossa casa.
 
Estamos, portanto, falando de interfaces mais humanas ou representações pixeladas da realidade, que não são resultado de estudos científicos da experiência do usuário na rede, no uso da interface gráfica em html, mas sim uma representação mais próxima o possível do real. Voltamos à noção de cidades na rede, porém, agora o objetivo é tornar fácil o uso, apelando para a vivência do usuário e não para a experiência.
 
Podemos, assim, projetar o conceito de ambientes relacionais, onde as comunidades humanas se relacionam com um ambiente e onde o usuário se relaciona com outros. Mas acho que agora temos de esperar um pouco a tecnologia. Apesar dessa tendência, ainda temos limitações. A relação é em três dimensões, porém, ainda não temos outros sentidos que completam a vivência do usuário com o mundo. O caminho está sendo este, porém, é necessário adaptações.
 
Os ambientes relacionais serão o futuro e a participação do usuário da informação já é realidade. Porém, ainda devemos pensar naquele bom e belo ambiente digital bem planejado, aplicando na sua estratégia a usabilidade, buscando tirar o melhor nas leis da experiência do usuário  e pensando que um dia o que valerá serão as leis da vivência do usuário.

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