O enterro de Nielsen ou como a interação toma conta do digital

19/05/2009 at 17:30 11 comentários

Vejo cada vez mais o nosso bom e velho site à la Nielsen ficar no passado. O mundo virtual hoje está cada vez mais como o real. Surgem sempre novas formas de interatividade utilizando novos tipos de interfaces, vitaminando antigas e potencializando a representação do mundo real no mundo virtual. Não quero dar uma de antropolólogo da informação e do virtual, mas me parece que o clique-aqui parece fadado ao esquecimento.

Senão vejamos. Com o advento do Orkut, as pessoas conseguiram se ver no mundo virtual. Mesmo aqueles que nunca pensaram em suas personas virtuais – daí pego emprestado de meu colega Cacau Guarnieri este conceito – criaram seus sitezinhos. São representações do real, porém, são virtuais e vemos que ali são todos bonitos, perfeitos, legais e sem problemas. Assim, o Orkut mostra que as pessoas têm seu reflexo na rede, disponível vinte e quatro horas por dia. Apesar disso, ainda não se deram conta que qualquer intervenção sua no mundo virtual representa uma expressão dessas personas virtuais representantes das pessoas no mundo virtual.

Se antes o virtual tentava representar o real em toda sua forma, como era o Geocities no começo da internet, onde cada cidade representava um tema, hoje vemos que a personalização, a relação humano-computador é que dá a tônica desse relacionamento. Hoje não existe uma taxonomia, mas sim a folksonomia. Não existe interface única, mas sim interface personalizável, onde o usuário arrasta a caixinha que considera mais importante, configura a previsão de tempo pra cidade que quiser, escolhe a cor da barra superior.

Não quero usar de futurologia para argumentar o que estou pensando, mas vendo os novos ambientes digitais e as novas interfaces que fazem sucesso na web 2.0, vislumbro um novo momento para a arquitetura de informação e para a disponibilização de informação ao usuário.

Primeiro, podemos constatar que a participação do usuário é cada vez mais requerida. Só para resumir: falamos da Wikipedia, do Youtube, do Del.icio.us. Em todos esses ambientes o usuário é convidado a criar tags, desenvolver conteúdo, participar. E realmente ocorre tal participação, como se cada um pegasse para sí a responsabilidade de gerir e manter esses ambientes.

Segundo, podemos ver que as interfaces cada vez mais representam o mundo real no virtual. E não falo do ludismo de certas interfaces, que é com certeza o caminho mais plausível. Falo da interatividade e da facilidade intuitiva do uso destas interfaces. Neste caminho está o SecondLife e o Habbo Hotel. O próprio Google Earth traz a representação real do mundo físico no virtual. Lá com sorte, podemos ver na rede a foto do telhado de nossa casa.

Estamos, portanto, falando de interfaces mais humanas ou representações pixeladas da realidade, que não são resultado de estudos científicos da experiência do usuário na rede, no uso da interface gráfica em html, mas sim uma representação mais próxima o possível do real. Voltamos à noção de cidades na rede, porém, agora o objetivo é tornar fácil o uso, apelando para a vivência do usuário e não para a experiência.

Podemos, assim, projetar o conceito de ambientes relacionais, onde as comunidades humanas se relacionam com um ambiente e onde o usuário se relaciona com outros. Mas acho que agora temos de esperar um pouco a tecnologia. Apesar dessa tendência, ainda temos limitações. A relação é em três dimensões, porém, ainda não temos outros sentidos que completam a vivência do usuário com o mundo. O caminho está sendo este, porém, é necessário adaptações.

Os ambientes relacionais serão o futuro e a participação do usuário da informação já é realidade. Porém, ainda devemos pensar naquele bom e belo ambiente digital bem planejado, aplicando na sua estratégia a usabilidade, buscando tirar o melhor nas leis da experiência do usuário e pensando que um dia o que valerá serão as leis da vivência do usuário.

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Analise heurística como comparação de qualidade: um caso prático Taxonomia: simples assim.

11 Comentários Add your own

  • 1. Rodrigo Azevedo  |  19/05/2009 às 19:48

    Nossa, o que vc escreveu não tem nada a ver com Nielsen!

    Resposta
    • 2. charlley  |  19/05/2009 às 20:47

      Não escrevi sobre o Nielsen, escrevi sobre a vivencia do usuario
      abracomeliga

      Resposta
  • 3. Silvio Rodeguero Goncalves  |  20/05/2009 às 00:19

    Entendi o lance de experiencia vs vivencia do usuario. A vivencia embola a informacao com funcionalidades, usabilidade com participacao.
    Nem Nielsen conseguiria prever a sociabilidade que tem na web hoje em dia! Nao diria que os conceitos dele ja’ cairam, mas ainda nao vimos tudo que o socio-uso da web nos traz.
    Esta nova usabilidade adiciona sentimento e expressao ‘a experiencia do usuario.

    Resposta
  • 4. Marcelo Xogum  |  20/05/2009 às 11:45

    “Precisamos de menos achismo, e mais reflexão sobre experiências concretas, reais. Não só na internet mas em qualquer coisa.” Vinícius Krause.

    O que é experiência concreta? Só para apimentar, vivos em uma era do pós cartesiano, com a junção de idéias de física quântica e religião. Nesse sentido, o concreto é resultado de uma interação ou ponto de vista de um ou mais envolvidos. É paradoxal tratarmos de uma representação virtual, baseada em experiências de pessoas, buscando um referencial concreto e real. Afinal de contas, real e concreto corre o risco de ser sempre relativo a um momento, pessoa, grupos, etc…

    Pode ser que em alguns momentos estejamos inclinados para uma técnica mais cartesiana, fechada, tradicional de mecânica clássica e em dado momento nos vermos imersos em um nível subjetivo de experiências que não encontram referenciais na ciência clássica.

    Para quem quiser entender um pouco mais, sugiro leituras interessantes que achei agora:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Mecânica_quântica
    http://pt.wikipedia.org/wiki/What_the_Bleep_Do_We_Know!%3F

    []´s

    Resposta
  • 5. Bruno  |  20/05/2009 às 13:55

    Usando como exemplos o Youtube, o novo site da Livraria Cultura e outros sites, a folksonomia não é complementar a taxonomia? Se o usuário for utilizar uma navegação estrutural, a taxonomia não seria mais importante? Agora, se ele for utilizar uma busca, por exemplo, nesse caso ele dependeria mais da folksonomia mesmo…

    No caso do Youtube, a taxonomia estaria em http://www.youtube.com/browse e no caso da Cultura, nas categorias e folksonomia nas tags.

    Resposta
  • 7. elisa volpato  |  25/05/2009 às 16:29

    Oi. Se o que você escreveu não tem nada a ver com nielsen (e pelo que eu li, não tem mesmo), por que colocou esse título? Só para causar polêmica?

    Resposta
    • 8. charlley  |  25/05/2009 às 16:55

      Oi Elisa
      não sou muito de gerar falsas polemicas, mas como um Ai das antigas lembro que a referencia de organização de conteudo das antigas era o Nielsen. Por isso na primeira frase do artigo digo “os sites à la Nielsen”, ou seja, aqueles do clique aqui, da chamada ser link essas coisas. Gosto do cara, ainda me referencio nele, mas de fato nao escrevi sobre ele, escrevi sobre a novidade, o que está por vir, a vivência do usuário.

      Meu objetivo nao era polemica, se fosse isso preferia ir no programa da Marcia Goldsmit reclamar da minha vizinha que arrasta móveis de madrugada e chamar ela de louca desocupada rsrsrsr

      Meu objetivo era que meus colegas participassem da idéia, dicustissem essas alterações que ocorrem no dia de hoje na relação do usuario com as interfaces.

      Quanto ao titulo, é meu jeitinho de escrever mesmo, tenho uma linha de comunicação meio solta, pra facilitar o entendimento (sou calejado apos muito texto academico que escrevi) 🙂

      []s

      Resposta
  • 9. Gisela Scheinpflug  |  28/05/2009 às 19:33

    posso aplaudir de pé? Falando ou não de Nielsen, você está de parabéns! Que post fantástico!!

    Resposta
  • 10. Mauricio  |  06/06/2009 às 01:22

    Bom, tudo está sempre mudando… O CEO da Apple disse que parou de investir em e-books porque as pessoas não leêm mais!! Ops, isso não justificou a minha primeira frase!! heheh

    Resposta
  • 11. charlley  |  09/06/2009 às 16:46

    Uma visão interessante sobre Nielsen e sem a paixão de seus fãs quadradinhos http://www.usabilidoido.com.br/a_invasao_dos_clones_de_nielsen.html

    Resposta

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