Da descrição ao menu do site: nem todo mundo é arquivista

15/12/2009 at 12:14 Deixe um comentário

A descrição passa a ser preocupação da arquivologia há pouco tempo (décadas), sendo sua atividade de tratamento técnico derradeira, anterior ao processo de divulgação e pós o processo de arranjo. Pode-se definir a descrição arquivística como a criação de representações de um determinado acervo, explicitando o contexto e o conteúdo dele. É atividade que demanda um esforço intelectual grande e competências de interpretação de texto, conhecimento histórico, além de habilidade com a língua onde as informações estão escritas. Tecnicamente ocorre após o processo de arranjo documental.

A descrição descola-se do arranjo no momento que absorve este como um elemento obrigatório da ISAD ou da Nobrade. Ocorre que a descrição toma importância no momento de trazer à tona o conteúdo disponível e as informações registradas nos processos e dossiês do acervo permanente do arquivo que descreve.

A normatizacao dessa descrição é mais recente ainda, trazendo para o universo das informações de arquivo um primeiro esforço em padronizar tanto o trabalho do arquivista quanto as informações que estes organizam. Este esforço internacional foi importante para diferenciar de vez o tratamento técnico de informações orgânicas do tratamento técnico de informações bibliográficas, estas sim passíveis do uso de obrigatoriedade em seu processo descritivo.

Esta diferenciação garante a autonomia do trabalho do arquivista, porém este também é um fator de preocupação, visto que é necessário neste processo uma série de definições que precisam de embasamento técnico e de um lastro de experiência importante para tais definições.

Neste aspecto, podemos ver que essas definições ocorram vislumbrando-se qual a utilidade deste tratamento técnico para a divulgação das informações de um arcevo permanente. Logo, um processo de mapeamento de instrumentos de marketing ajuda a organizar a definição dos elementos a serem utilizados na descrição. Por exemplo, se o grande ponto de divulgação será de fato o site, ao se escolher os elementos que serão utilizados deve-se também criar uma matriz comparativa com relação aos metadados. Um verdadeiro de/para que vai auxiliar não só a definição dos elementos descritivos a serem utilizados nos instrumentos de pesquisa (que utiliza de outras fontes e necessidades para isso). Mas também que possam condicionar os metadados a serem utilizados na descrição dos objetos eletrônicos, no sistema de armazenamento de imagens ou documentos e de recuperação de informações.

Um erro básico neste processo de divulgação e construção do ambiente digital seria utilizar os elementos descritivos como organizadores da navegação do usuário no site do arquivo. Aqui estamos falando de técnicas de Arquitetura de informação, para isso devemos pensar nos objetivos macros da AI que é melhorar a eficiência e a eficácia do usuário no acesso a informação.

Sabemos que num site, o usuário precisa de um recurso chamado navegação estrutural e que esta deve ser enxuta, apresentar o primeiro nível e possibilitar que este usuário saiba onde esta, para onde vai e onde esteve. Se utilizarmos tão somente os elementos descritores como instrumentos de navegação, este usuário estará em maus lençóis, visto que somente de elementos obrigatórios na Nobrade temos 8 ao total. Imagine um menu estrutural que começa com 8 elementos, fora os cortes referentes a temas, história e outros.

Os elementos descritores são como os metadados, são estruturais e devem ser orientadores do trabalho do arquivista , é como um espetáculo de teatro tem o diretor do espetáculo que fica atrás, nos bastidores. Para isso servem os elementos descritivos, agem nos bastidores para fornecerem uma melhor visão do contexto e das informações dos acervos, e assim deve-se utilizar a descrição no caso de um site.

Um bom exemplo disso é o site do Arquivo Digital do Alaska, onde temos numa primeira tela com somente 4 links de navegação estrutural e a navegação toda se dá, para a boa experiência do usuário, no mecanismo de busca. Após a pesquisa do usuário, daí sim surgem os elementos descritivos, ali aplicados como perfil de metadados, trazendo as informações de cada imagem do banco de dados.

Veja aqui a capa do site ou acesse Aqui o site

Assim, pense que o usuário que estará acessando seu site não precisa conhecer as técnicas de descrição arquivística, muito menos precise de opções exaustivas de navegação. Uma boa estrutura de acervo, alinhado com um eficiente mecanismo de busca, garante o acesso do pesquisador ao conteúdo que quer.

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Entry filed under: Arquitetura de Informação, Arquivista, Arquivistica, Descrição Arquivística, Gestão da Informação, informação digital, metadados, preservação digital, qualidade.

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