Um pouco sobre Arquitetura de Informação, Portais e Arquivistas

06/04/2010 at 19:27 4 comentários

Está colocado desde já que a informação, que gera o conhecimento quando relacionados a outros elementos como experiência, valores informação contextual e intuição, seja socializada, que seja de amplo acesso e de fácil tratamento. Daí inovacões tecnológicas que incluem a possibilidade de trabalhar com streamming media, hiperlinks dinâmicos, governanças de conteúdo com variados níveis de permissão. Estas inovações tecnológicas nos recursos disponíveis gera novas frentes junto a rede, como educação a distância, a telemática, o teletrabalho entre outros.

Os repositórios fazem parte dos portais de conhecimento, visto que os documentos digitais alí arquivados são utilizados como fonte de informação. Os portais carregam, além de arquivos digitais outras fontes de informação, explícitas ou implícitas. Os portais são super ambientes digitais de instituições ou grupos que usam técnicas de difusão e recolhimento de informações junto a seus públicos. Essas ferramentas podem ser do tipo enquete, conteúdo dinâmico, blogs e fotologs, além de custodiar documentos orgânicos, como relatórios, notícias, memos, e instrumentos de comunicação como newsletters.

Esses portais podem ter seu conteúdo atualizados por administradores ou por todos os participantes do portal, no estilo wikipedia, aonde o conhecimento é contruído através do conteúdo partilhado por qualquer interessado em contribuir com aquele determinado tema(s).

A arquitetura de informação

A expressão arquitetura de informação foi apresentada pelo arquiteto e desenhista gráfico Richard Saul Wurman, que se destacou por empregar excelentes gráficos nas apresentações das informações.
O arquiteto Wurman desenvolveu a seguinte definição:
Arquiteto de informação: a) a pessoa que organiza os padrões que são inerentes aos dados, tornando o conjunto intelegível: b) a pessoa que cria a estrutura ou mapa das informações que permite que outras pessoas achem seus caminhos pessoais até o conhecimento c) a profissão que surge no século XXI, voltada para as necessidades desta época, e que tem como foco a clareza, a compreensão humana e a ciência da organização da informação.

Na época de Wurman, nem pensava-se em internet. Os computadores eram gigantes. Não existia o cenário de hoje, onde cada colaborador de uma instituição possui uma estação de trabalho, onde se relaciona com outros colabores e com o ambiente externo, sendo um produtor de documentos, informações e conhecimento.

Com o advento da internet e das redes de comunicação locais (lans), este cenário aprofunda-se. Nesta nova forma de trabalho surgiram os portais. Estes precisam ser planejados, programados e abastecidos com informações, lembrando que os ambientes digitais são interfaces de relacionamento com pessoas, sendo necessário portanto prever todo relacionamento informacional dos portais com os seus usuários.

Cabe constar que os arquivistas desenvolvem nos seus processos de descrição arquivística, de elaboração de instrumentos de pesquisa e na indexação de arquivos um processo parecido com a arquitetura de informação. Na prática, ao estudar o produtor e o público que acessa os documentos, analisar todas as fontes de informação, os tipos de informação, as informações importantes para o público, definir uma estrutura para arranjar os documentos e listar suas informações o arquivista está arquitetando a organização das informações de um arquivo.

No caso dos ambientes digitais, os arquivistas podem analisar os públicos que irão acessar os portais e sites e organizar as informações de forma lógica. Agrupar as informações por área de interesse, portanto, é muito parecido com a classificação de grupos de documentos nos fundos, criando suas respectivas classes. Assim, organizar informações educacionais em um portal pela área de interesse é muito parecido com criar uma tabela de arranjo.

Alguns itens relevantes da arquitetura de informação

A arquitetura da informação projetada de forma eficiente agiliza a conclusão de tarefas executadas pelos usuários na busca pelo conteúdo, levando em conta a navegação do usuário. Como afirma NIELSEN (2000, p.15), o objetivo da Arquitetura da Informação deve ser o de estruturar o site “para espelhar as tarefas dos usuários e suas visões do espaço de informação”.

Um ítem importante para a arquitetura de informação de ambientes digitais é lembrar que a world wide web é um sistema baseado em navegação por âncoras, onde milhares de hyperlinks guiam os usuários em busca da informação. Essas âncoras (ou zonas de salto) é
a função mais básica da Internet e um de seus princípios. Configura-se que o acesso as informações não é linear, é interativo.

O engenheiro NILSEN (1999) criou a chamada “Lei da Experiência dos Usuários na Web”, onde define regras básicas de funcionalidades vistas com repetição em sites eficientes. Muitas destas funcionalidades e estruturas devem ser levados em consideração no processo de arquitetura e de organização das informações e desenvolvimento do conteúdo e das interfaces dos portais.

Ao planejarnos a arquitetura de informação para a elaboração de um ambiente digital (um portal), definem-se itens como estrutura informacional e a função de recursos digitais a cada núcleo informacional, mas muitas funcionalidades surgem no processo de roteirização (processo após a arquitetura, onde se desenvolve o conteúdo inicial do portal) e dependem da tecnologia em que está montada (linguagem, conteúdo dinâmico, banco de dados, html, etc) e o nível de parametrização dos dados.

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Entry filed under: Arquitetura de Informação, Arquivista, GC, gestão do conhecimento, informação digital, metadados, portais corporativos, Tecnologia da Informação.

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4 Comentários Add your own

  • 1. Mauricio  |  18/05/2009 às 20:21

    Olá!
    Eu comecei a me interessar pelo tema há pouco tempo, e afirmo quase com certeza que fora por conta do teu Blog. Li uns poucos textos somente
    A “Lei da Experiência dos Usuários na Web” seria praticada na forma do Benchmarking?

    Abraço

    Resposta
    • 2. charlley  |  19/05/2009 às 17:35

      Ola Mauricio
      busco sempre novas perspectivas principalmente para utilizar no meu trabalho e contribuir com a ciência da informação. Tambem gosto muito do seu blog, sempre que posso dou uma espiada por lá. Publicquei um post sobre interfaces em sua homenagem, espero que voce curta.
      []s
      charlley

      Resposta
    • 3. charlley  |  19/05/2009 às 17:44

      Olá Mauricio
      A lei da experiencia do usuario pode sim ser definida atraves de benchmarking e até através de heuristicas de comparação. Aqui falamos em uma certa “padronização'” da interação do usuario no ambiente digital, mapeado atraves de benchmarking (comparacao entre ambienets) ou heuristica (comparacao com regras de ouro da usabilidade).
      Outra forma de aferir a experiencia do usuário é através de testes de usabilidade, onde acompanha-se a interação de um grupo representativo dos usuarios do site com a interface que está sendo avaliada. Veja que aqui estamos falando, para se definir qual o melhor método, do interesse em conhecer a experiencia do usuario ou levantar as melhores praticas, nesse segundo caso o benchmarking é mais adequado.
      []s
      Charlley

      Resposta
  • 4. Felipe Accorsi  |  07/04/2010 às 02:26

    Olá Charlley,

    Tentar acrescentar! Referente à discussão levantada, vale lembrar que existem regras individuais, particularidades de cada projeto. Regras que surgem através de restrições da ferramenta ou até mesmo como estratégia de venda, marketing e etc.

    Exemplo:
    Algum tempo atrás naveguei pelo site de uma Revista focada em um público adolescente e fiquei assustado. O site proporcionava uma navegação lenta (conteúdos escondidos em ícones espalhados pelo layout, diversas animações em transições de cliques, entre outras dificuldades). Não me lembro o nome da revista, mais o layout era uma casa, onde você entrava e, a partir daí, podia escolher para qual cômodo você iria, cada cômodo tinha links escondidos em objetos (ex: galeria de fotos em um retrato, etc). Enfim, na hora achei o site uma porcaria, acabei não encontrando os conteúdos que queria, não tive paciência de ficar procurando e desisti. Depois de alguns meses recebi uma revista que apresentava cases de sucesso. Adivinha o que encontrei lá? O tal site. Quando li a matéria percebi porque aquele site era um case de sucesso. Na verdade tudo se resumia ao público alvo.

    O site, conforme descrito era voltado a adolescentes que costumam ter mais tempo livre para navegar, totalmente ao contrário do meu cenário (estava no trabalho). Adolescentes também gostam de desafio proporcionado pelo “Ache o conteúdo” no site, entre outras explicações. Na época o site atingiu números de encher os olhos e recebeu feedbacks positivos do seu público proporcionando sentimentos positivos para a marca.

    Chega de blá, blá, blá. O que quero dizer com tudo isso é que regras são saudáveis. Elas te dão uma base, um caminho, mas daí em diante devemos pensar nas particularidades dos projetos, na verdade nas particularidades do público daquele projeto e assim criar novos caminhos, atalhos, sinalizações. As vezes a solução não está dentro da caixa.

    Abraço
    Felipe Accorsi
    @felipeaccorsi

    Resposta

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