Correspondências: amizade e ciência em tempos de ENEARQ

02/09/2014 at 20:18 Deixe um comentário

Companheiro Vanderlei
Parabéns por participar do ENEARQ, tive a sorte de fazer isso duas vezes seguidas e é muito gratificante estar de frente pra nova geração da arquivologia. Nas oportunidades em que participei busquei mostrar aos futuros arquivistas o mundo que se abre com a realidade tecnológica para a nossa área. De fato, o mundo corporativo hoje vive seus processos e atividades através de interfaces de portais e intranets e o que está lá dentro é informação arquivística. Então recordo um pouco os motivos que escrevi o livro Arquivologia 2.0 e no qual  tive o privilégio de ter sua apresentação. Era de fato o vislumbre dessa realidade da  informação arquivística materializada nos ambientes digitais. Além da discussão de nosso objeto científico da área, como uma ciência social aplicada, a realidade do mercado nos coloca em posição de resolvermos pra já o acesso, a preservação, a avaliação.
A realidade científica já está mais adiantada, já temos estudos sobre a web semântica e os arquivos, inteligência artificial e linguagem e os arquivos, ainda olhamos pra história. Mas ainda debatemos pontos importantes que não avançam. O arquivo pessoal é uma coleção? O arquivo fotográfico é uma coleção? O debate é importante. Enriquece a área, esclarece as necessidades prementes da ciência, mas esse pessoal que está aí, eles querem um pouco mais. Querem saber como vai ser o futuro. Então é importante, Vanderlei mostrar a prática. O fato de um arquivista do Congresso Nacional estar falando com eles já acalma e mostra caminhos. No entanto, a urgência da tecnologia, a urgência do mercado mostra que podemos deixar de lado a especialização da área (a informação arquivística) para podermos ter de dar atenção a uma gestão de informação corporativa, que englobaria a informação dos arquivos, mas traz também informações de outras áreas, como a gestão do conhecimento.
Nesse sentido, gosto muito do Thomassen, que você conhece muito bem, e o conceito de abordagem arquivística. Ou seja, temos como ter uma abordagem arquivística em nossa gestão da informação diária. Pensa Vanderlei, por exemplo, no e-mail. Sabemos que é um documento arquivístico, mas também sabemos que pra isso acontecer precisamos um certo tratamento que no dia a dia corporativo não ocorre. Qual seria a abordagem arquivística neste caso? Obviamente estabelecer uma forma de garantir a integridade da informação, envolvendo ou não o usuário, mas utilizando o potencial dos sistemas digitais, servidores e toda parafernália digital. E a nuvem? Qual seria uma abordagem arquivística para garantir a boa utilização da informação na nuvem? De fato ter uma política de preservação e Back up somente? A gente sabe que vai adiante. Engloba outros pontos, mas não quero aprofundar isso, quero dizer que apesar de termos ainda um campo com objetos variáveis (documento, arquivo ou informação arquivística) o que nos espera, na aplicação pragmática, é a possível abordagem arquivística que podemos dar nesse emaranhado mundo da informação digital. Para isso, nosso campo torna-se de alguma forma interdisciplinar, pois vamos precisar criar Arquitetura de Informação de um portal, mas tendo uma abordagem arquivística. Temos de acompanhar uma comunidade de prática de gestão do conhecimento, mas podemos ter uma abordagem arquivística.
Meu amigo Vanderlei, essa juventude que está aí no ENEARQ tem a vida pela frente, e essa passa rápido, a gente que já está mais maduro sabe que tudo passa mais rápido depois de um determinado período. Então nossa missão, além de transmitir conhecimento também é mostrar a urgência de se viver. Se o objeto da arquivística ainda não é algo definido nem comungado, temos como mostrar que o arquivista tem o papel de aplicar a abordagem arquivística na sua missão. Se hoje os arquivos estão diluídos na estrutura corporativa, cabe a nós identificar isso e atuarmos com nossa visão. O futuro deve ser hoje, então vamos sempre ter nosso olhar arquivístico.

Um abraço e bom evento
Charlley Luz

São Paulo, 16 de agosto de 2014.

p.s: publicado sob anuência dos correspondidos 🙂

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